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Jovem Guarda completa 60 anos nesta sexta (22); conheça mais sobre o super movimento da música brasileira

Publicada em: 22/08/2025 10:21 -

A Jovem Guarda completa, nesta sexta-feira, 22 de agosto, aos 60 anos. A data é uma referência à estreia do Programa Jovem Guarda, atração da TV Record que ficou no ar entre 1965 e 1968 e consagrou o trio de apresentadores Roberto Carlos, Erasmo Carlos (1941-2022) e Wanderléa.

O programa, exibido nas tardes de domingo da Record, foi pensado para ocupar a faixa de horário antes dedicado ao futebol - a emissora perdeu os direitos de transmissão na época.

Jovem Guarda despontou como o programa da juventude, e fez frente a outras duas atrações musicais que a emissora produzia, O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, e o Bossaudade, comandado por Elizeth Cardoso. Jovem Guarda, em pouco tempo, se tornou líder de audiência.

O som e o propósito do movimento, no entanto, conquistaram a cantora Maria Bethânia, que chamou a atenção de Caetano Veloso e recomendou que ele escutasse Roberto Carlos. Caetano já declarou que a Jovem Guarda, estética e musicalmente, foi uma importante inspiração para a Tropicália, uma das vertentes mais contestadoras da música brasileira, e que causou a prisão e o exílio de Caetano e Gil durante a ditadura militar.

Em texto publicado no Suplemento Literário do Estadão em novembro de 1967, o poeta Augusto de Campos destacou essa influência. "Caetano Veloso e Gilberto Gil, com Alegria, Alegria e Domingo no Parque, se propuseram, oswaldianamente, deglutir o que há de novo nesses movimentos de massa de juventude e incorporar as conquistas da moderna música popular ao seu próprio campo de pesquisa, sem, por isso, abdicar dos pressupostos formais de suas composições que se assentam, com nitidez, em raízes musicais nordestinas".

Outros nomes da Jovem Guarda

Além do trio Roberto, Erasmo e Wanderléa, outros tantos cantores e músicos fizeram parte do movimento e do programa. A lista é grande e inclui, por exemplo, Martinha, Eduardo Araújo, Silvinha Araújo, Os Incríveis, Golden Boys, Evinha, Os Vips, Luiz Ayrão, Rosemary, Lafayette Coelho, Diana, Vanusa, Waldirene, Agnaldo Timóteo, Antonio Marcos, Deny & Dino, The Fevers, Jerry Adriani, Leno & Lilian, Nilton Cesar, Ronnie Cord, Wanderley Cardoso, Tony Campello e Meire Pavão.

Outros nomes não estavam necessariamente inseridos na Jovem Guarda, e nem ficaram marcados por isso, mas, ou gravaram músicas com a sonoridade do movimento ou frequentaram o programa exibido pela TV Record. A cantora Clara Nunes foi uma delas. Jorge Ben Jor foi inúmeras vezes encontrar os amigos da Tijuca, Roberto e Erasmo, no palco do programa. Até mesmo Elis Regina compareceu, e cantou com Roberto o rock Tutti Frutti, sucesso de Elvis Presley.

Ronnie Von é um caso à parte. Embora seus hits A Praça e Meu Bem (versão de Girls, dos Beatles) sejam associados à Jovem Guarda, ele diz que nunca fez parte do movimento - embora já tenha sido contestado por essa informação. O fato é que o dono da TV Record à época, Paulinho Machado de Carvalho, contratou Ronnie com um alto salário para evitar que ele fosse para a TV Excelsior. O cantor ganhou o programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, outro sucesso com a juventude da época.

É importante notar que, neste ano de 1965, quando a Jovem Guarda se destacou no cenário musical com Quero que Vá Tudo pro Inferno, outros grandes clássicos da música brasileira foram apresentados, como Minha Namorada, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, Pedro Pedreiro, de Chico Buarque, e Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. Uma briga boa, vencida, do ponto de vista da grande massa, pela Jovem Guarda.

Com o fim do programa, em 1968, Roberto se posicionou como cantor essencialmente romântico, e conseguiu manter a fama e o prestígio, algo que conserva até os dias atuais, aos 84 anos. Erasmo penou para encontrar um caminho, mas acertou. Com canções mais filosóficas e uma boa dose de irreverência, manteve a alma roqueira. Wanderléa, cantora e intérprete, fez discos mais conceituais - e geniais - nos anos 1970 e nunca saiu de cena. Atualmente, aos 81 anos, além de cantar seus hits da época, como Pare o Casamento e Foi Assim, apresenta o show em que canta chorinhos, derivado do elogiado álbum Wanderléa Canta Choros, de 2023.

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